Se o arquivo municipal acompanhou sempre a secretaria municipal, só em 1946 é que o historiador famalicense Vasco César de Carvalho, no seu livro ‘A Justiça’, pretendeu sugerir algumas alternativas para os espaços culturais da autarquia.

“Mas rematemos dizendo que ficamos esperançados ver neste edifício [a actual Casa da Cultura], pelo seu passado respeitável de tradição marcadora nos primórdios da independência da nossa terra e por lhe ter bastado o cansaço da sua missão posteriormente imposta, e da afronta com que o denominam, que passará um dia a ser o Museu e a Biblioteca Pública de Vila Nova de Famalicão”.

Ainda não era precisamente o Arquivo Municipal, mas parece não haver dúvidas de que se este projecto tivesse sido concretizado na época, o arquivo acompanharia quer o museu quer a biblioteca.

Aliás, e numa entrevista dada pelo então Presidente da Câmara Municipal, Álvaro Folhadela Marques, ao jornal ‘Correio do Minho’, em 9 de Fevereiro de 1947, este autarca anunciava, entre outros projectos, a “adaptação da antiga cadeia para instalação de serviços públicos, entre os quais a biblioteca e o arquivo municipal”.

Exactamente um ano depois, no jornal famalicense, Estrela do Minho, de 15 de Fevereiro de 1948 era publicada a ‘Relação das Obras aprovadas pelo Ministério das Obras Públicas para 1948-1949’, entre as quais permanecia a adaptação da antiga cadeia e antigos Paços do Concelho, na Rua Direita, a biblioteca e arquivo municipal.

Infelizmente outras prioridades se impuseram e, quando dos incêndios que em Abril e Maio de 1952 destruíram o edifício onde funcionavam os Paços do Concelho desde 1881 e o prédio que tinha sido das Escolas Paroquiais Conde de S. Cosme do Vale (entretanto adaptado de emergência a Paços do Concelho), o arquivo municipal sofreu uma enorme destruição, prolongada, aliás, por anos sucessivos de incúria na preservação do que tinha sido possível salvar daqueles dois incêndios.

Finalmente com a Câmara da presidência do Sr. Arq. Armindo Costa foi possível construir um novo arquivo municipal com as condições e a dignidade que a guarda da nossa memória histórica justifica.

Ao longo dos anos o arquivo municipal incorporou a documentação municipal e outros fundos (sistemas de informação) públicos, bem como vários arquivos particulares de personalidades famalicenses ou com forte ligação a esta terra de Vila Nova de Famalicão.

O arquivo da Câmara Municipal de Famalicão, com documentação desde 1685, já que em meados do século XIX, foram copiados vários aforamentos de terrenos feitos pela Câmara de Barcelos, engloba todos os serviços municipais, além de outras estruturas que a legislação municipal foi criando ao longo dos anos como, por exemplo o Senado Municipal, durante a Primeira República, o Conselho Municipal, recriação do Estado Novo, em moldes diferentes, de um organismo da Monarquia Constitucional, a Comissão Concelhia da Administração dos Bens do Estado, aparecida na sequência da Lei da Separação, e várias comissões municipais (de Higiene, do Recenseamento Militar, do Recenseamento Eleitoral, do Recenseamento do Júri da Comarca, etc.).

Este sistema de informação abrange documentos relativos aos órgãos do município, serviços administrativos, património, serviços financeiros, impostos, eleições, funções militares, segurança pública, justiça, controlo das actividades económicas, urbanismo, obras municipais, serviços urbanos, saúde e assistência, educação e cultura.

Temos, por outro lado o arquivo da Administração do Concelho, com documentação que reflecte as suas funções de natureza policial e de controlo de diversas actividades, desde o recenseamento e recrutamento militar ao registo de passaportes, passando pela tutela das contas de juntas de paróquia e confrarias. No âmbito da administração local de referir ainda documentos provenientes da antiga Câmara do Couto de Landim e várias Juntas de Paróquia e Juntas de Freguesia, sem esquecer os antigos Julgados de Paz, a Junta Escolar e a Comissão Municipal de Assistência.

De grande importância é ainda o arquivo paroquial de Antas, onde se encontram os mais antigos documentos conservados no arquivo municipal, como, por exemplo, arrendamentos, compras, doações e vendas; tombos; circulares e portarias eclesiásticas; demandas; rol da desobriga; dotes, inventários e patrimónios; foros e pensões; títulos de prazos; rações e raçoeiros, visitações e ordens pastorais, etc..

Paralelamente não queremos deixar de mencionar vários arquivos particulares dos quais nos permitimos destacar os de Daniel Rodrigues, ministro na Primeira República e administrador geral da Caixa Geral de Depósitos, do senador Joaquim José de Sousa Fernandes e do patrono do arquivo, Alberto Sampaio.

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